Sem aumento da Produtividade, o Brasil não cresce de maneira sustentável

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Por Riberto Barros Araujo

Produtividade
substantivo feminino

  1. característica ou condição do que é produtivo.
  2. capacidade de produzir. “p. da terra”
  3. volume produzido.
  4. econ relação entre a quantidade ou valor produzido e a quantidade ou o valor dos insumos aplicados à produção; rendimento.

Fonte: Google

Segundo ainda a enciclopédia Wikipedia, a produtividade é basicamente definida como a relação entre a produção e os fatores de produção utilizados. A produção é definida como os bens produzidos (quantidade de produtos produzidos). Os fatores de produção são definidos como sendo pessoas, máquinas, materiais e outros. Quanto maior for a relação entre a quantidade produzida por fatores utilizados, maior é a produtividade.

Dito isto, faço referência neste blog a evento promovido nesta semana, dia 27.mar, pelo CORECON-ES e o IBEF-ES em Vitória/ES, quando se discutiu o tema, tendo como principal palestrante o Diretor do Banco Mundial, Otaviano Canuto.

Canuto começou afirmando que a retomada da economia do Brasil ainda não se materializou em mais e melhores empregos ou em rendimentos mais elevados, e que, segundo estudo do Banco Mundial, para que isso aconteça, o País precisa ainda melhorar drasticamente o seu desempenho em termos de produtividade. Ainda segundo o estudo, o Brasil poderia crescer cerca de 4,5% ao ano se aumentasse a taxa de produtividade para o nível registrado nos anos de 1960 e 1970. A instituição financeira alerta que no coração da baixa produtividade brasileira está um sistema que reduz a concorrência e a inovação e induz à má alocação de recursos entre empresas.

Segundo ele, não há futuro com crescimento sustentável das nações se não for passando pelo aumento da produtividade.

Alguns fatores que Canuto destacou como relevantes e preocupantes na história recente do Brasil e que jogam para baixo as nossas chances são:

  • O gasto público cresceu de 22 para 36 % do PIB nos últimos 25 anos;
  • O país deveria estar investindo ao redor de 3% do PIB apenas para a manutenção da infraestrutura, mesmo essa ruim que temos. No entanto, estamos investindo 2,5 % em média nos últimos 25 anos. Dessa forma, estamos consumindo a infraestrutura que já é ruim. O que dizer, então, de novos investimentos que, de fato, façam a diferença nos ganhos de produtividade e redução do flagelo do Custo Brasil?
  • As barreiras, pedras no caminho do ‘Ambiente de negócios’, que é aquele contexto do lado de fora da cerca das empresas: é horroroso no Brasil, segundo Canuto! Onde se destaca:

    1. Os Licenciamentos demorados por parte dos órgaõs de controle de toda sorte, em especial os ligados a questões ambientais;
    2. Sistema tributário: em média despendemos, em uma mesma base de cerca de 600 hh/ano para processar o pagamento de impostos, contra uma média de 300 hh/ano dos nossos vizinhos da Amércia do Sul e 200 hh dos países avançados. É um tempo consumido que não agrega nenhum valor aos processo e produtos, e com certeza, rouba competitividade dos negócios e do País.
    3. Pendências judiciais entre empresas, a recuperação baixa de valores resultantes de disputas comerciais ou inadimplências, alcançam, em média, 17% no Brasil versus 40% dos vizinhos e 70% dos membros da OCDE;
    4. A taxa de sobrevivência de empresas ineficientes no Brasil é superior aos países com os quais temos relações. A concorrência interna é muito baixa, oferecendo uma salvaguarda para os negócios que não investem sistematicamente na atualização tecnológica e nas várias possibilidades de inovação.

Encerrando, se o Brasil quiser mudar esse quadro, terá que considerar uma série de prioridades. A primeira delas, segundo o banco, é uma maior abertura de mercado e reforma das regulamentações empresariais visando aumentar a concorrência. Apesar de suas proporções, o país continua sendo uma das economias mais fechadas do mundo. Também seria necessária promover uma reforma tributária abrangente. A instituição ressalta, ainda, que é preciso acabar com os subsídios ineficazes às empresas e destinar esses recursos para inovação e apoio aos trabalhadores. Só em 2015, as políticas desses subsídios corresponderam a 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB); o valor gasto foi 9 vezes maior do que o usado no Bolsa Família.